ZUM Quarentena

Recomendações ZUM: a enfermeira fotógrafa, Sebastião Salgado, Anna Maria Maiolino, Luigi Ghirri e mais

Publicado em: 05 de maio de 2020

Foto: Karen Cunningham / The New Yorker

O casal Sebastião Salgado e Lélia Wanick Salgado lançou uma petição online com o objetivo de chamar a atenção dos governantes brasileiros para a necessidade de proteção dos povos indígenas da Amazônia diante da grave ameaça da Covid-19. O tema tem feito o fotógrafo se mobilizar em diversas redes, como na entrevista ao Roda Viva da TV Cultura e uma carta aberta ao jornal The Guardian. 

“Mas, com essa pandemia, algo subitamente mudou. De repente, nós, brancos, estamos tão despreparados frente à Covid-19 quanto os Yanomami frente às epidemias letais e enigmáticas (xawara a wai) que nosso mundo lhes inflige há décadas”, alerta o antropólogo francês Bruce Albert, que desde os anos 1970 trabalha com os Yanomami, em carta aberta publicada no site da n-1 edições.

A artista Anna Maria Maiolino e o curador Paulo Miyada trocaram uma série de e-mails ao longo do mês de abril, uma conversa poética sobre suas relações familiares, política, arte e os rumos da vida durante a pandemia publicada no blog Entretempos, da Folha de SP.

“Isso me lembrou os velhos tempos também, pois – como Gabriel Garcia Marquez começou Cem anos de solidão – eu poderia dizer: ‘Muitos anos depois, ao enfrentar a pandemia de coronavírus, eu me lembrava daquela tarde distante em que meu pai me levou a descobrir o cinema’”. O diretor Jia Zhang-ke publicou no site holandês De Film Krant uma carta de sua quarentena em Pequim. No mesmo site, o também isolado diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul respondeu com outra missiva: “Ao contrário de um filme, o destino dessa jornada Covid-19 é vago. Ao contrário de uma viagem, não estamos nos movendo. A maioria de nós fica em casa. Olhamos pelas nossas janelas para o mesmo cenário e … continuamos olhando”.

Por volta dos 30 anos Karen Cunningham, hoje com 50, deixou a carreira de fotógrafa para trabalhar como enfermeira. Atualmente trabalhando na linha de frente no combate ao coronavírus, retomou sua câmera para capturar não só os momentos dramáticos dentro do hospital Lenox Hill, mas também a vida cotidiana de seus colegas de enfermagem dentro e fora do local de trabalho. Na revista New Yorker.

Centro para a ideia menos valiosa (Centre for the Less Good Idea), fundado pelo artista sul-africano William Kentridge, oferece um espaço para criar e dar suporte a projetos experimentais e colaborativos no campo das artes. A programação online traz intersecções do teatro com as artes visuais, como contos antigos comunicados apenas com o movimento do corpo e um poeta que declama se recusando a usar a palavra ‘dita’. A curadoria é de Kentridge e Phala Ookeditse Phala.

O Itaú Cultural liberou os filmes do forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de 2019. Entre os dias 5 e 19 de maio serão disponibilizados no site seis curtas e longas-metragens: Yãmiyhex, as Mulheres-Espírito, de Sueli e Isael Maxakali; Mãtãnãg, a Encantada, de Charles Bicalho e Shawara Maxakali; Eleições, de Alice Riff; Banquete Coutinho, de Josafá Veloso; Enquanto Estamos Aqui, de Clarissa Campolina e Luiz Pretti; e Antonio e Piti, de Vincent Carelli e Wewito Piyãko.

A exposição online Declassifier, de Philipp Schmitt, faz uso de um algoritmo visual treinado em COCO, programa de inteligência artificial desenvolvido pela Microsoft em 2014. No trabalho, fotografias de Schmitt são “mostradas” ao software e cobertas por outras imagens que o algoritmo entende que combinam com a original. Ao longo da exposição, essas colagens visuais são apresentadas ao público no site da Photographers’ Gallery.

Em homenagem ao historiador da arte italiano Germano Celant, falecido na última semana, a revista Aperture disponibilizou no seu site uma parte do ensaio Luigi Ghirri e o indefinível, escrito por Celant como introdução da monografia do fotógrafo italiano publicada pela Aperture.

Como o coronavírus está reescrevendo a nossa imaginação? O escritor de ficção científica Kim Stanley Robinson especula como as formas de ver e sentir o presente podem impactar nosso futuro: “Haverá uma pressão enorme para esquecer esta primavera e voltar aos velhos modos de experimentar a vida. E, no entanto, esquecer algo desse tamanho nunca funciona. Lembraremos disso, mesmo se fingirmos que não. A história está acontecendo agora, e terá acontecido. Então, o que faremos com isso?”

A BBC News Brasil apresenta um vídeo que mostra um mundo em quarentena visto de cima. ///

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Leia também no #IMSquarentena uma seleção de ensaios do acervo das revistas ZUM e serrote, colaborações inéditas e uma seleção de textos que ajudem a refletir sobre o mundo em tempos de pandemia.

 

 

 

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