Bolsa de Fotografia ZUM/IMS 2019

 

 

A revista ZUM e o Instituto Moreira Salles anunciam os dois projetos ganhadores da 7ª edição da Bolsa de Fotografia ZUM/IMS: Avenida Brasil 24h, de Aleta Valente, e Retrato falado, de Eustáquio Neves.

A premiação deste ano reforça o compromisso da Bolsa com a riqueza e a diversidade da produção brasileira ao contemplar uma artista emergente de Bangu, bairro de origem operária da zona Oeste carioca, que vem construindo uma carreira quase exclusivamente através das redes sociais, e um artista já consagrado pela história da fotografia brasileira que se dedica a investigar temas raciais e processos fotográficos analógicos e alternativos.

 

Avenida Brasil 24h, de Aleta Valente

Aleta Valente propõe um processo imersivo nos motéis da Avenida Brasil para produzir uma série fotográfica que procura tornar explícitas as relações entre corpo e cidade, repouso e movimento, vida e morte ao longo da via expressa mais importante da cidade do Rio de Janeiro. O resultado será uma exposição pública ao longo da avenida.

Aleta Valente (Rio de Janeiro, 1986) é bacharel em História da Arte pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Artista multimídia, usa a fotografia, a performance e memes em plataformas digitais para discutir temas como a representação da classe trabalhadora, a legalização do aborto e o direito à cidade.

 

Retrato falado, Eustáquio Neves

A partir de descrições de parentes, de semelhanças de família e de recursos analógicos e digitais de manipulação fotográfica, Eustáquio Neves reconstruirá o retrato do avô, a quem não conheceu e de quem não há, nos álbuns da família, nenhuma imagem. O projeto aborda a escassez de fotografias de família entre os negros no Brasil, e resultará em imagens e livro.

Eustáquio Neves (Juatuba, Minas Gerais, 1955) mora e trabalha em Diamantina. Químico de formação e fotógrafo autodidata, recebeu o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Funarte em 1994 e expôs no 5º Rencontres de la Photographie Africaine, Bamako (2003) e na Bienal de São Paulo-Valência (2007). Seu trabalho, marcado pela manipulação química de negativos e cópias, aborda a identidade e memória dos afrodescendentes no Brasil.