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Entrevista: a fotografia autobiográfica do sueco JH Engström

Publicado em: 07 de novembro de 2018

JH Engström, da série Rascunhos de Paris, 2013

O fotógrafo sueco JH Engström (1969) é reconhecido mundialmente por suas séries e projetos autobiográficos, registrando o seu cotidiano ao lado de amigos, parentes e conhecidos.  Nesse sentido, seu trabalho se alinha ao de outros grandes nomes da fotografia sueca contemporânea, como Anders Petersen e Christer Strömholm.

Em cartaz no Museu Finlandês da Fotografia, a exposição JH Engström: Härifrån apresenta um recorte bastante amplo de seus 20 anos de carreira, tendo como linha curatorial o contraste entre sua infância vivida parte no interior da Suécia e depois em Paris, para onde se mudou com a família. ZUM conversou com JH Engström sobre sua exposição, projetos, fotolivros e processo criativo.

 

Essa é a primeira grande retrospectiva de sua carreira. Como se sente ao ver seu trabalho em perspectiva nas paredes de um museu?

JH Engström: Claro que a sensação em expôr é boa. E estou feliz com o resultado. No entanto, não vejo essa exposição como uma retrospectiva. Esse não foi o conceito no momento da curadoria do projeto. O conceito que tínhamos como ponto de partida era mais um diálogo entre trabalhos meus que lidam com o urbano e o rural.

 

No seu trabalho, várias técnicas e linguagens da fotografia (preto e branco, retratos, paisagens, snapshots, etc) são utilizados. Como é lidar com essas possibilidades em uma série ou projeto? É o tema que define a linguagem/técnica ou o contrário?

JHE: Lidar com diferentes ferramentas e métodos é uma maneira de se manter curioso, desperto e eu também acredito que me dá uma liberdade que aprecio muito.

 

Seus fotolivros são uma maneira importante não só de divulgar o seu trabalho, mas também são uma forma pessoal de expressão artística. Esse aspecto torna a edição de imagens uma parte muito relevante do seu trabalho, certo? Sua abordagem, ao preparar um livro ou exposição, deve levar em conta características específicas do livro ou da parede. Você tem alguma preferência por um ou outro?

JHE: Editar é um aspecto muito importante do meu trabalho. Tanto em livros como na parede. Em ambos os casos é meu trabalho e minha expressão, isso não muda. Mas é claro que você lida com isso de maneiras diferentes se deverá ser visto em um livro ou no espaço expositivo. Eu adoro trabalhar das duas maneiras.

 

Sua fotografia parece funcionar com um bloco de notas da sua vida cotidiana ao lado de amigos, parentes, conhecidos, etc.  Mas o resultado final parece menos uma documentação desse cotidiano e mais uma espécie de busca por transcendência com e pela imagem. Concorda com esse ponto de vista?

JHE: Eu diria que meu método é autobiográfico. Com isso quero dizer que uso o que está perto de mim e a minha vida para expressar meu eu em termos mais gerais. Na verdade, não acho importante dizer para quem vê minhas fotos como eu vivo a minha vida. Então sim, concordo que nesse sentido não é um documentário.

 

Como o seu trabalho dialoga (ou não) com outros nomes importantes da fotografia sueca contemporânea, como Anders Petersen e Christer Strömholm?

JHE: Ele dialoga no sentido de que tanto Anders como Christer me ensinaram a importância de encontrar meu próprio caminho e acreditar no que estou fazendo. E ambos têm uma abordagem bastante subjetiva da fotografia. E isso vale para mim também.///

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