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Visões de um Rio utópico na exposição colaborativa da artista Rosângela Rennó

Publicado em: 15 de dezembro de 2017

Exposição #RioUtópico, fotografia O Monte, Vila Universal, 2017. Foto de Lucas Ururahy

A exposição #RioUtópico – Um projeto em construção, da artista Rosângela Rennó, que abre no IMS Rio neste sábado (14/12), reúne fotografias, mapas e dados de várias localidades do Rio de Janeiro, selecionadas porque seus nomes sugerem alguma situação utópica ou ideal. Nomes como Vila Paraíso, Morro dos Prazeres, Morro da Liberdade, Pedacinho do Céu, Vila Esperança, Sossego-Alegria, Ilha Pura, Suíça Carioca, Final Feliz e outros, no total de 50 lugares escolhidos.

O pontapé do projeto #RioUtópico foi dado pela artista como uma tarefa a jovens cariocas: fotografar cenas que distinguissem seus bairros e pesquisar a história de sua formação. Assim, ao longo dos últimos meses, Rosângela selecionou localidades e as cerca de 250 imagens que abrem a exposição a partir das fotografias enviadas. Enquanto a mostra estiver em cartaz, a artista continuará recebendo e selecionando imagens através de uma convocatória aberta, e essas fotos serão periodicamente acrescentadas às paredes do espaço expositivo.

O Rio de Janeiro costuma ser prodigamente fotografado, mas boa parte das imagens forma apenas um belo showroom da zona centro-sul, área que corresponde a cerca de 10% do território da cidade. Uma imagem sedutora do Rio pode unir moradores de várias regiões em torno da mesma utopia, mas a repetição desses pontos de vista também pode fazê-los subestimar o interesse pela própria realidade. Como olhar então para esta outra extensa parte?

Em vez de um autor único, múltiplas vozes; no lugar dos ícones de sempre, a paisagem caleidoscópica; para além do território batido, a geografia ampliada. Aos poucos, um outro Rio surge descortinado, nas repetidas palafitas da Vila União, nas diagonais da Linha Amarela, nos retratos dos líderes comunitários ou na iluminação prometida pela estátua da Liberdade.

Enxergar a melancolia rural de Santa Cruz, a distopia ereta de Ilha Pura, o monótono padrão do Minha Casa Minha Vida ou o oceano de lajes indomáveis é um contraponto necessário a uma cidade que corre o risco de flertar com o próprio narcisismo. Estas vistas, personagens e fotos de família oferecem um mapa sentimental da cidade que valoriza a perspectiva do indivíduo e mostra que a representação da convivência urbana também é uma forma de se aproximar da utopia.///

Já visitou algum lugar utópico do Rio de Janeiro?

Envie suas fotos para:

[email protected]
– pelo Whatzapp 21-98659-0502
– ou use a hashtag #rioutopico

A participação na exposição é gratuita e não remunerada. Para mais informações e leitura dos termos da convocatória, clique aqui: rioutopico.ims.com.br.

 

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