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Colombiano Oscar Muñoz é o ganhador do prêmio Hasselblad 2018

Publicado em: 09 de março de 2018

O artista colombiano Oscar Muñoz (1951) é o vencedor da edição de 2018 do prestigioso prêmio da Fundação Internacional Hasselblad, dado a fotógrafos cujos trabalhos tenham contribuído de forma relevante para o desenvolvimento da linguagem e da técnica fotográfica. O júri responsável pela escolha destaca que seu trabalho “está imbuído de uma qualidade transcendental e oferece uma metáfora para a condição humana”.

Munõz é conhecido por utilizar materiais não convencionais e efêmeros para investigar, via imagem fotográfica, questões relacionadas à memória e à mortalidade. É o caso do trabalho Cortinas de banho (1985-1986), em que imagens são transferidas através de serigrafia para cortinas de chuveiro molhadas, evitando uma fixação perfeita e produzindo figuras quase fantasmagóricas. A água é um elemento recorrente na obra do artista, como em Narcisos (1995), em que um autorretrato feito de poeira de carvão é transferido para uma superfície líquida, que se evapora, e assim desfaz a imagem criada.

O vídeo Re/trato (2004) mostra o artista desenhando um autorretrato com água no pavimento quente, mas à medida que a água faz contato com o chão, a imagem desaparece. Em outras obras, Muñoz usa cubos de açúcar tingidos com café (Pixels, 1999-2000) e queimaduras de cigarro (Intervalos – enquanto respiro, 2004). Na edição de 2016 do Festival Valongo (em Santos, SP), Oscar Muñoz conversou sobre seus trabalhos na mesa de debates da Arena ZUM_Valongo, com curadoria de Thyago Nogueira, editor da revista e coordenador de fotografia contemporânea do Instituto Moreira Salles.

Segundo Louise Wolthers e Dragana Vujanović Östlind, curadoras da exposição do prêmio Hasselblad que irá exibir o trabalho de Munõz, “suas obras giram em torno do tempo e da memória, temas que são fundamentais para a fotografia. Ele usa materiais efêmeros e envolve o espectador em instalações que exploram questões existenciais e políticas, muitas vezes referentes à história recente da Colômbia”.

Este aspecto político das instalações de Muñoz é mais explícito em trabalhos como Ambulatório (1994), uma grande fotografia aérea da cidade de Cali impressa em uma folha de vidro de segurança. À medida que os espectadores caminham no chão de vidro, olhando a cidade de cima, o vidro se quebra.

O júri da edição de 2018 do prêmio foi presidido por Mark Sealy (curador e diretor da galeria Autograph ABP, de Londres) e contou com a participação de Marta Gili (diretora do museu Jeu de Paume, Paris), Paul Roth (diretor do Centro de Imagem Ryerson, Toronto), Bisi Silva (fundadora e diretora artística do Centro de Arte Contemporânea de Lagos, na Nigéria) e Hripsimé Visser (curadora de fotografia do Museu Stedelijk, Amsterdã). “Numa era de crescente incerteza política no mundo e momentos de ansiedade humana aumentados, as obras de Oscar Muñoz servem para nos lembrar do quão frágeis somos. Através da incrível variedade de trabalhos que produziu, o que é evidente é que ele está decidido a não esquecer os episódios da história que muitas vezes são eliminados cultural e politicamente”, afirma Sealy.

O prêmio da Fundação Hasselblad existe desde 1980, e já foi concedido a grandes nomes da fotografia mundial, como Henri Cartier-Bresson (1982), Sebastião Salgado (1989), William Klein (1990), Susan Meiselas (1994), William Eggleston (1998), Cindy Sherman (1999), Joan Fontcuberta (2013) e Rineke Dijkstra, no ano passado. A entrega do prêmio acontecerá na sede da fundação na Suécia, em outubro, acompanhada de uma exposição retrospectiva do trabalho de Muñoz e do lançamento de um livro sobre sua obra. ///

 

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