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Feliz aniversário, Mr. Eggleston

Publicado em: 27 de julho de 2017

 

 

William Eggleston comemora hoje 78 anos. Com uma seleção de textos e vídeos já publicados em nosso site, homenageamos o fotógrafo que contribuiu decisivamente para inserir a fotografia colorida no mundo das galerias de arte e museus. Conheça melhor a obra e a carreira de Eggleston clicando nos links abaixo:

 

Da série Los Alamos, 1965-1974 © Eggleston Artistic Trust. Cortesia de Cheim & Read, Nova York.

Publicado na ZUM #2, o texto O inventor da fotografia em cores, do professor e crítico alemão Thomas Weski, ressalta o pioneirismo e a maestria de Eggleston no campo da fotografia colorida.

“De um fotógrafo, dizemos que ele é original quando suas imagens marcaram de tal maneira a percepção da realidade que um vínculo indissolúvel as une a seus motivos. Elas colonizam o subconsciente do observador. Pois hoje, à visão de um drive-in, de um quarto de hotel ou de um teto, é difícil suprimir um involuntário “Eggleston!”

 

 

Da série Los Alamos, 1965-1974 © Eggleston Artistic Trust. Cortesia de Cheim & Read, Nova York.

No início de 2015, o fotógrafo veio ao Brasil para a abertura da exposição William Eggleston: a cor americana. A mostra, realizada pelo IMS, foi a maior dedicada exclusivamente ao artista. Na ocasião, Thyago Nogueira, editor da ZUM e curador da exposição, conversou com Eggleston sobre as fotografias selecionadas para a mostra e o catálogo. Ele conta quem são algumas das pessoas retratadas – entre elas sua avó, um de seus filhos e uma moça que ele não chegou a conhecer – e as lembranças das viagens que fez pelas paisagens do sul dos Estados Unidos.

 

 

Da série Los Alamos, 1965-1974 © Eggleston Artistic Trust. Cortesia de Cheim & Read, Nova York.

Durante a exposição no Rio de Janeiro, o Instituto Moreira Salles convidou intelectuais e críticos para discutir as obras no próprio local expositivo. O crítico e professor da ECO/UFRJ Antonio Fatorelli colocou o trabalho de William Eggleston em um contexto cultural maior, mencionando a ascensão da pop art e o avanço técnico que permite o controle do processo fotográfico. O crítico também destaca o caráter ambíguo e dúbio dos retratos de Eggleston, que também se destacam pela vitalidade e por uma perspectiva de futuro positiva.

 

 

foto Walter Carvalho homenagem Eggleston

ZUM convidou o fotógrafo e cineasta brasileiro Walter Carvalho para escrever um texto sobre a obra do fotógrafo americano William Eggleston. Enquanto escrevia o texto, Carvalho cruzou com um Cadillac de 1959, semelhante aos fotografados por Eggleston, e teve a ideia de fazer uma homenagem ao mestre da fotografia colorida. “Muitas vezes suas fotografias parecem fotos domésticas, envelopadas em álbuns de família. Outras adquirem sofisticadas formas de pensar e de enquadrar, indo além de colocar apenas os objetos no quadro entre o que é percebido e o que é fotografado.”

 

 

Greenwood, Mississippi, 1973 © Eggleston Artistic Trust. Cortesia de Cheim & Read, Nova York.

O filósofo Nelson Brissac Peixoto comenta uma das imagens icônicas de William Eggleston: a fotografia O teto vermelho. “Eggleston é o fotógrafo do vermelho. O vermelho é o paradigma da saturação. O olhar é colado contra o muro, deslocando-se pela superfície. Uma visão tátil, ocupada com os materiais, debatendo-se com o peso e a inércia das coisas. Aqui a cor é constitutiva da matéria.”

 

 

Sumner, Mississippi, com o riacho Cassidy ao fundo, c. 1969 © Eggleston Artistic Trust. Cortesia de Cheim & Read, Nova York.

O jornalista e crítico de cinema José Geraldo Couto partiu de duas fotografias de Eggleston para escrever o texto O negro e o automóvel, comentando aspectos mais sociais da obra do fotógrafo, como o racismo e a luta por direitos civis nos EUA. “Todas as fotos de William Eggleston conversam de alguma forma umas com as outras, mas entre duas delas esse diálogo é particularmente eloquente. Em ambas há um homem negro e um carrão americano. No mais, tudo é diferença.”

 

 

Da série 5×7, 1973-1974 © Eggleston Artistic Trust. Cortesia de Cheim & Read, Nova York.

O professor da PUC/RJ Joaquim Marçal parte da fotografia A moça de vestido amarelo para destacar o conhecimento e apuro técnico de Eggleston no tratamento de cores. “Se, por um lado, amarelar é perder o viço ou a coragem, por outro é tornar maduro. Madura tornou-se a fotografia de Eggleston, sem jamais envelhecer.”

 

 

Da série Los Alamos, 1965-1974 © Eggleston Artistic Trust. Cortesia de Cheim & Read, Nova York.

O cineasta David Lynch fala, em vídeo, sobre as fotografias de William Eggleston. Lynch relembra também o momento em que foi fotografado por ele: “Então fomos a um certo ponto no jardim e de repente ele pegou a câmera com Winston – PÁ – e ele se moveu um pouco – PÁ –, moveu-se um pouco – PÁ – e foi o fim daquilo.”///

 

 

 

O catálogo da exposição William Eggleston: a cor americana, à venda na loja on-line do IMS, reúne 124 imagens do fotógrafo norte-americano e textos do músico David Byrne, do escritor Geoff Dyer, do crítico de arte Richard Woodward e do curador Thyago Nogueira, além da primeira tradução para o português do texto seminal de John Szarkowski, publicado no catálogo William Eggleston´s Guide (1976).

 

 

 

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  • Rodrigo Castro

    Aula de fotografia.