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Recomendações ZUM: coletivo Rocinha Sob Lentes, Annie Leibovitz, Mari Katayama, Clifford Prince King e mais

Publicado em: 13 de maio de 2022

Espectador #014, de Mari Katayama, 2016. Publicada no site da revista ArtNews

A artista japonesa Mari Katayama, de 34 anos, teve suas pernas amputadas aos nove anos por conta de uma doença congênita nos membros. Hoje é reconhecida internacionalmente por criar uma variedade de trabalhos, desde objetos costurados à mão que imitam seu próprio corpo até autorretratos meticulosamente encenados em que usa pernas protéticas. Em entrevista à revista ArtNews, Katayama questiona a ambiguidade da divisão entre artificial e natural e o que pensamos como o “corpo correto”. “Tenho consciência de tratar as fotografias como ‘coisas’ e não como imagens ou dados, e isso pode ser devido, por exemplo, à minha admiração pelo peso e presença das pinturas a óleo. ”

 

Foto publicada no livro Censored, de Tiane Doan na Champassak. Publicada no site da revista i-D.

O site da revista i-D escreve sobre Censored (Censurado), livro mais recente do artista francês de origem asiática Tiane Doan na Champassak. A partir de uma grande coleção de revistas tailandesas para o público masculino adulto das décadas de 1960 e 1970, o artista mostra uma prática comum do período dessas publicações: o uso de desenhos meticulosos para cobrir pelos pubianos, mamilos e vaginas. Cada foto era editada à mão antes de ser impressa, uma resposta criativa e divertida à política de censura. “É um absurdo pensar que todas as modelos seriam fotografadas nuas e depois ‘cobertas’ novamente”, diz Tiane. Isso pode soar arcaico, mas é exatamente o que acontece nas mídias sociais hoje, com o uso de corações, estrelas e outros emojis para cobrir mamilos e “partes íntimas” para contornar as políticas de nudez dos aplicativos.

 

Coletivo Rocinha Sob Lentes.

O coletivo Rocinha Sob Lentes, formado pelos fotógrafos Allan Almeida, Diego Cardoso, Erik Dias e Marcos Costa, lançou recentemente o livro Rocinha Sob Lentes, produzido e editado pela Engenho Arte e Cultura. Munidos de câmeras fotográficas – muitas vezes emprestadas – e aparelhos celulares, os quatro moradores da Rocinha registram em imagens o cotidiano da comunidade há anos. “Tem gente que acorda cedo para trabalhar no emprego formal e quando volta, já volta fotografando. No meu caso, eu trabalho na parte da tarde, de tarde para a noite. Então, a parte da manhã eu tenho que ficar com as minhas filhas e enquanto elas ficam na creche ou na casa da minha sogra eu aproveito para fotografar”, conta Marcos. O livro é distribuído gratuitamente para instituições governamentais e educacionais no Brasil e em outros países. O perfil do coletivo no Instagram é @rocinhasoblentes_oficial

 

Rihanna fotografada por Annie Leibovitz para a revista Vogue. Foto publicada no site da revista digital Bubblegum Club.

Em 2020, a renomada fotógrafa Annie Leibovitz fez um retrato da campeã olímpica Simone Biles e foi duramente criticada por sua suposta incapacidade de iluminar adequadamente a pele negra da ginasta. Agora, a mesma Leibovitz é elogiada pelos retratos da artista Rihanna grávida. Artigo publicado pela revista digital sul-africana Bubblegum Club discute a relação da fotógrafa com pessoas negras já retratadas por ela ao longo da sua carreira.

 

Bilal e Youssef esperam pelo final do dia, da série Dialeto, de Felipe Romero Beltrán, Sevilha, 2020–22

O site da revista Aperture publicou o perfil do jovem fotógrafo colombiano Felipe Romero Beltrán, vencedor de 2022 do Aperture Portfolio Prize. Na série Dialeto, Beltrán retrata jovens imigrantes que vivem no limbo da legalidade na Espanha, criando imagens que remetem a sonhos e memórias. “Ao invés de apresentar tipos, caricaturas ou casos trágicos, as imagens de Beltrán apresentam aos espectadores as peculiaridades divertidas e as distintas especificidades de Youssef, Hamza, Bilal e outros jovens, personagens nomeados que têm uma palavra a dizer sobre como o trabalho é feito e mostrado. Beltrán sempre fotografa com uma câmera digital e compartilha suas fotos com seus modelos. Se eles não gostam, ele as destrói. A ética de como eles trabalham juntos é dinâmica e às vezes complicada.”

 

Shealah Craighead trabalhou como fotógrafa oficial da Casa Branca durante o governo do presidente Donald J. Trump. Crédito: Doug Mills/The New York Times. Foto publicada no site do jornal The New York Times.

É uma tradição entre os fotógrafos oficiais da Casa Branca: após o final do mandato presidencial, publica-se um livro com as fotos das viagens e das incontáveis horas passadas dentro da Casa Branca. No entanto, quando a fotógrafa Shealah Craighead oficializou que gostaria de publicar o seu livro dos anos de Donald J. Trump na presidência, a primeira resposta dos assessores do ex-presidente foi pedir a ela uma parte do pagamento antecipado do livro, em troca de ele escrever um prefácio e ajudar a promover o livro. Em seguida, a equipe de Trump pediu a Craighead que adiasse seu projeto para permitir que Trump escolhesse algumas fotos dela e de outros fotógrafos da Casa Branca e publicasse seu próprio livro, que já está pronto e à venda. O site do jornal The New York Times conta essa história e revela que o livro de Craighead não será mais lançado.

 

Reprodução do perfil @ClubPhotos_

A revista digital inglesa TWP parte do explosivo sucesso de um perfil criado recentemente no Twitter chamado Chaotic Nightclub Photos (@ClubPhotos_ ) para entender um certo mercado de imagens fruto de um trabalho descentralizado e informal de fotógrafos freelancer que fazem rondas por clubes e baladas para obter uma renda suplementar. “Quando alguém daqui a cem anos quiser rastrear a história da vida noturna retratada por artistas, nossa era atual da fotografia de clubes dirá mais sobre o sistema econômico e político no qual estamos vivendo do que qualquer outro estágio desse gênero até então.”

 

Leite, Lace, de Clifford Prince King, 2016.

Em entrevista à revista The New Yorker o fotógrafo norte-americano Clifford Prince King diz que não está interessado apenas em criar uma galeria erótica de retratos de homens gays negros. Sua intenção é ir além, mostrar o que acontece na privacidade desses relacionamentos. “King medita sobre a pele nua e, por isso, seu trabalho parece atemporal, embora seus modelos às vezes usem joias da moda e boxers de marca, o que coloca as imagens em um diálogo provocativo com a publicidade”.

 

Prova A, de Justine Kurland, 2020.

Recorte e comece de novo: essa é a proposta da fotógrafa norte-americana Justine Kurland para reformular o cânone masculino da história da fotografia. Para fazer SCUMB Manifesto, seu recém-lançado livro, ela recortou e colou imagens de 150 livros de renomados fotógrafos, todos eles homens e brancos, de Brassaï a Stephen Shore. “Não sou eu dizendo: ‘Foda-se todos esses fotógrafos, eles são péssimos e não deveriam existir’. É mais ambivalente do que isso. É raivoso e sério, mas também é engraçado”, comenta Kurland em matéria publicada pelo jornal inglês The Guardian. ///

 

 

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