“William Eggleston, a cor americana”, exposição no IMS-RJ

Mestre da fotografia colorida, William Eggleston, que raramente viaja ou concede entrevistas, vem ao Brasil para a abertura da mostra no Rio de Janeiro

Do portfólio The Seventies: volume 2, 1972

do portfólio The Seventies: volume 2, 1972

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William Eggleston, a cor americana

14 de março a 28 de junho de 2015

Curadoria de Thyago Nogueira

 

abertura com a presença do artista

14 de março, sábado, às 17h

exibição do documentário William Eggleston no mundo real (2006), de Michel Almereyda, e lançamento do catálogo

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A partir de 14 de março, o Instituto Moreira Salles apresenta William Eggleston, a cor americana, primeira grande exposição individual na América do Sul dedicada ao fotógrafo norte-americano William Eggleston. A mostra, uma das maiores empreitadas do IMS em 2015, apresentará cerca de 170 fotografias, pertencentes a coleções prestigiosas como a do Museu de Arte Moderna de Nova York, a do Museum of Fine Arts de Houston, do acervo pessoal do artista e das galerias Cheim & Read e Victoria Miro.

William Eggleston é um dos maiores nomes da história da fotografia do século XX. Suas famosas imagens coloridas apresentam o cotidiano e a paisagem das pequenas cidades e subúrbios do sul dos Estados Unidos, a região natal do fotógrafo, durante os anos 1960 e 1970. Eggleston abriu novos caminhos para a fotografia ao mirar suas lentes nos elementos que simbolizavam a modernização americana (carros, estradas, supermercados, outdoors, shopping centers, estacionamentos, motéis), ao apresentar essa realidade em cores vibrantes, e ao registrar o próprio dia a dia, apresentando amigos, familiares e outros personagens em imagens que combinam intimidade e estranhamento. Nos anos de Elvis Presley e Martin Luther King, o sul dos Estados Unidos ainda vivia as cicatrizes do passado escravocrata, com intensos conflitos raciais e uma classe média interessada em usufruir dos novos padrões de consumo.

William Eggleston descobriu o sucesso em 1976, quando o influente John Szarkowski, na época diretor do departamento de fotografia do MoMA/NY, organizou uma exposição de suas fotografias coloridas na instituição. Até então, o preto e branco dominava a fotografia de arte. A exposição, que apresentava cenas prosaicas, uma liberdade na composição das imagens e apostava na sedução da cor – até então mais presente na fotografia amadora e publicitária –, tornou-se objeto de intenso debate entre a comunidade fotográfica, e foi duramente criticada. Ao longo dos anos, no entanto, a mostra se transformou num marco.

 

Memphis, 1971 // do livro Guia de William Eggleston, 1976

Memphis, 1971 // do livro Guia de William Eggleston, 1976

 

Hoje, as imagens de Eggleston estão entre as mais célebres da história da fotografia, com uma lista de admiradores que vai da fotógrafa Nan Goldin ao músico David Byrne, do cineasta Wim Wenders ao brasileiro Karim Aïnouz. Filmes como Elefante, de Gus Van Sant, foram notoriamente inspirados no universo visual do fotógrafo. Tanto Van Sant quanto David Byrne convidaram Eggleston para colaborar em seus projetos.

William Eggleston, a cor americana é uma das maiores exposições já realizadas sobre o artista e traz ao Brasil, pela primeira vez, uma extensa seleção de fotografias produzidas durantes as décadas de 1960 e 1970, considerados os anos de ouro do fotógrafo. Um dos núcleos da mostra reunirá boa parte das fotografias presentes na lendária exposição de 1976, no MoMA. Outras duas salas reunirão as imagens da série Los Alamos, resultado de diversas viagens de carro pelo sul dos Estados Unidos, do Delta do Mississippi à Califórnia, entre 1965 e 1974. Os dois conjuntos são formados por cerca de 150 raras e delicadas fotografias feitas através do processo de dye-transfer, uma técnica de impressão fotográfica quase extinta, que se tornou marca registrada do artista por permitir um controle preciso das cores e intensa saturação.

Mesmo os fãs de Eggleston se supreenderão com a exposição, que também trará obras menos conhecidas, mas não menos importantes, do período. É o caso do formidável conjunto de retratos feito com uma câmera de grande formato em 1974 e conhecido como 5×7, em referência ao tamanho das chapas usadas. É também o caso de um conjunto de cinco fotografias em preto e branco, feitas antes que Eggleston abraçasse definitivamente a cor. O filme experimental Stranded in Canton (Encalhado em Cantão), rodado em preto e branco entre 1973 e 1974, com registros íntimos e de noitadas com amigos nos bares de New Orleans será exibido em uma das salas da casa da Gávea.

William Eggleston, a cor americana tem curadoria de Thyago Nogueira, editor da revista ZUM e coordenador de fotografia contemporânea do IMS. O projeto expográfico é de Martin Corullon, do escritório Metro Associados, e a identidade visual é da artista gráfica Luciana Facchini.

 

eggleston William Eggleston, a cor americana
Organização de Thyago Nogueira
Textos de Thyago Nogueira, David Byrne,
Geoff Dyer, Richard Woodward e John Szarkowski
Formato: 22,5 x 31cm
Número de páginas: 156
ISBN: 978-85-8346-021-3
Preço: R$ 129,90
Compre aqui

 

Sobre o fotógrafo

William Eggleston nasceu em 1939 em Memphis, Tennessee. O MoMA/NY apresentou em 1976 a exposição Fotografias. Em 1998, Eggleston ganhou o prestigioso prêmio Hasselblad, e, em 2004, o Infinity Awards, do International Center of Photography. Sua obra foi objeto de inúmeros livros, entre eles William Eggleston´s Guide (1976), Chromes (2011) e Los Alamos (2012). Em 2008, o Whitney Museum of American Art fez uma das maiores retrospectivas de sua obra. Em 2002, a dOCUMENTA de Kassel apresentou uma seleção de suas fotografias. O Eggleston´s Artistic Trust, que preserva e divulga o trabalho do fotógrafo, foi fundado em 1992, em Memphis, onde o artista vive e trabalha.

 

Publicações sobre William Eggleston no site da revista ZUM

Greenwood, Mississippi, 1973 © Eggleston Artistic Trust. Cortesia de Cheim & Read, Nova York. O teto vermelho
O filósofo e curador Nelson Brissac Peixoto discute de onde vêm as cores nas fotografias de William Eggleston: Diz Eggleston que o vermelho é a cor mais difícil de se trabalhar, que fazer uma fotografia de uma superfície inteiramente vermelha foi seu maior desafio, pois só se via algo assim em painéis gráficos publicitários. Eggleston é o fotógrafo do vermelho. O vermelho é o paradigma da saturação. Aqui a cor é constitutiva da matéria.
foto Walter Carvalho homenagem Eggleston Homenagem a William Eggleston
O fotógrafo Walter Carvalho homenageia William Eggleston em foto (ao lado) e texto: Para David Hockney, “ninguém olha para uma foto por mais de trinta segundos a menos que, entre mil rostos, esteja procurando o de sua mãe”. Nas fotografias de William Eggleston é possível ao observador fazer uma varredura por trinta segundos e ser atraído para seu interior com interesse, não só pela simplicidade do seu registro, mas pelo que vai além da superfície das coisas e penetra no interior dos objetos.
Da série Los Alamos, 1965-1974 © Eggleston Artistic Trust. Cortesia de Cheim & Read, Nova York. De olhos fechados
Em texto publicado no catálogo da exposição, o escritor David Byrne, conhecido por ter integrado a banda Talking Heads, fala do pioneirismo do amigo fotógrafo: No começo, eu não conseguia entender o que ele estava fazendo. Seu enquadramento às vezes era tão incorreto! Era muito diferente da maior parte da fotografia “artística” que se via nas exposições em Nova York. Agora essa postura é visível em todos os meios expressivos, desde a fotografia de moda até o jeitão de certas séries da tv.
Memphis, 1971 © Eggleston Artistic Trust. Cortesia de Cheim & Read, Nova York. Um quebra-cabeças extraordinário
O curador da exposição, Thyago Nogueira, faz um panorama da vida e da obra do fotógrafo americano: De forma geral, Eggleston − que entre amigos é chamado de Bill − se manteve distante dos grandes centros da arte. Nas últimas entrevistas que concedeu, foi tão monossilábico quanto são suas fotografias. Ele evita falar do trabalho e não se importa muito com o que dizem sobre ele. Para Eggleston, palavras e imagens são duas linguagens distintas.
eggleston01 O inventor da fotografia em cores
Em matéria publicada na revista ZUM # 2, o professor Thomas Weski fala das fotografias da série Chromes, de William Eggleston: Quando, em 1976, William Eggleston expôs suas fotografias coloridas no MoMA-NY, a fotografia em cores libertou-se da acusação de ilegitimidade artística feita pelo fotógrafo Walker Evans. Até então, vigorava a ideia de que o uso da cor se justificava na publicidade e no fotojornalismo, mas era inapropriado para qualquer manifestação artística.
Fotos da montagem da exposição “William Eggleston, a cor americana”

 

Na véspera da abertura, William Eggleston conversou com Thyago Nogueira, curador da exposição, sobre as fotografias que compõem a mostra e o catálogo. O fotógrafo conta quem são algumas das pessoas retratadas – entre elas sua avó, um de seus filhos e uma moça que ele não chegou a conhecer – e as lembranças das viagens que fez pelas paisagens do sul dos Estados Unidos. Veja abaixo:

 

[youtube width=”1000″ height=”528″]https://youtu.be/wzdyi5pGI4I[/youtube]

 

Como parte da série do Instituto Moreira Salles “Conversas na galeria”, na qual intelectuais e críticos discutem obras no próprio local expositivo, o filósofo Nelson Brissac Peixoto e o crítico Antonio Fatorelli foram convidados a analisar o trabalho de William Eggleston. Veja abaixo:

Conversas na Galeria — Nelson Brissac

[youtube width=”1000″ height=”528″]https://www.youtube.com/watch?v=tFqGI9IDP_Y[/youtube]  
[youtube width=”1000″ height=”528″]https://www.youtube.com/watch?v=NGdPbqkEZs8[/youtube]

 

Conversas na Galeria — Antonio Fatorelli

Antonio Fatorelli colocou o trabalho do fotógrafo americano num contexto cultural maior, mencionando a ascensão da pop art e o avanço técnico que permite o controle do processo fotográfico. O crítico também destaca o caráter ambíguo e dúbio dos retratos de William Eggleston, que também se destacam pela vitalidade, por uma perspectiva de futuro positiva.

[youtube width=”1000″ height=”528″]https://www.youtube.com/watch?v=2vXgyrWao2Y[/youtube]  
[youtube width=”1000″ height=”528″]https://www.youtube.com/watch?v=0Nu_orhelHk[/youtube]

 

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William Eggleston, a cor americana

abertura com a presença do artista
14 de março, sábado, às 17h.
Exibição do documentário William Eggleston no mundo real (2006), de Michel Almereyda, e lançamento do catálogo

visitação
De 14 de março a 28 de junho
De terça a domingo, das 11h às 20h

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

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Veja a página da exposição no site do IMS.

 

Informações para a imprensa:

Bárbara Giacomet de Aguiar – (11) 3371-4490
barbara.aguiar@ims.com.br

Andressa Lelli – (11) 3371-4424
comunicacao@ims.com.br

Da série Los Alamos, 1965-1968 e 1972-1974

Da série Los Alamos, 1965-1968 e 1972-1974

 

c. 1971-1973 // do portfólio Troubled Waters, 1980

c. 1971-1973 // do portfólio Troubled Waters, 1980

Sumner, Mississippi, com o riacho Cassidy ao fundo, c. 1969 // do livro Guia de William Eggleston, 1976

Sumner, Mississippi, com o riacho Cassidy ao fundo, c. 1969 // do livro Guia de William Eggleston, 1976

c. 1971-1973 // do portfólio Troubled Waters, 1980

c. 1971-1973 // do portfólio Troubled Waters, 1980

IMAGENS © Eggleston Artistic Trust. Cortesia Cheim & Read, Nova York.