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Trio de artistas faz releitura digital de daguerreotipia, com a série “Álbum”

Publicado em: 24 de junho de 2015
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Álbum é um ensaio fotográfico produzido pelos fotógrafos Rafael Jacinto e João Kehl (ex-Cia de Foto), e o músico GUAB. O trabalho parte de uma releitura da daguerreotipia, primeira técnica de registro fotográfico, na qual os raios de luz marcam uma placa de cobre sensibilizada por um banho de prata, gerando o registro da imagem em uma superfície espelhada.

Os primeiros daguerreótipos, que datam de 1830, levavam cerca de 15 minutos para serem sensibilizados sob forte luz solar, o que tornava praticamente impossível a prática de retratos, dada a dificuldade de se permanecer estático por tanto tempo. Hoje, câmeras fotográficas enxergam mais que o olho humano e são capazes de fotografar até o que não vemos.

“Cegamos a câmera sobrepondo filtros, até ser impossível enxergar o retratado. Mesmo com o ISO mais alto (25 mil) não era possível enxergar através da lente. Assim, para que suas imagens penetrassem a barreira de filtros e alcançasse o sensor da câmera digital, os fotografados tiveram de permanecer parados por minutos, sob luzes intensas”, explicam os fotógrafos.

Álbum foi feito seguindo um ritual dos primórdios da fotografia química, mas usando uma câmera digital. O ruído de pixels mostra a limitação da tecnologia digital em situações de baixa luz, e os rostos desfigurados ilustram a dificuldade de se permanecer imóvel por alguns minutos.

Como parte do trabalho, Álbum é apresentado como uma instalação: “Codificamos esses retratos em um disco de vinil. Esculpimos sinais sonoros que guardam as imagens e as transformam em sons. Como o suporte é antigo, sua limitação faz com que as imagens fiquem pequenas e em preto e branco. A leitura que decodifica essas vibrações é feita pixel por pixel, nos permitindo ver e ouvir a imagem sendo formada enquanto a agulha percorre o disco. Para cada pixel, um som”.

[vimeo width=”700″ height=”392″]https://vimeo.com/111842804[/vimeo]

  • Humberto Malaquias

    achei fantástica o conceito, a proposta em si e o uso de outro suporte. Pergunto, as fotografias são projetadas ou só estão fixados somente os sons, ou seja, o que esta no vinil é somente para se ouvir? Vocês podem me explicar mais detalhadamente como foi feito este processo de gravação das imagens no vinil? Obrigado, Humberto. Meu e-mail: humberto_arqdesign@hotmail.com

    • Rafael Jacinto

      Oi Humberto, tudo bom? As imagens foram codificadas e uma regra foi estabelecida, usando o espaço de 1 a 255 bits, para que cada pixel fosse associado a um som.
      Os pixels mais escuros emitem sons mais graves, e os mais claros, mais agudos. Como o vinil é um suporte antigo e com espaço limitado, a imagem tem que ser pequena em em grayscale.
      Esses dados foram transformados em impulsos sonoros e “cravados” no vinil em um torno para isso.
      Quando o vinil toca, o som é decodificado e a imagem projetada. Se vc para o disco, a imagem pára, e assim por diante.
      Se vc tiver mais alguma dúvida, pode escrever direto pra gente:
      rfljcnt@gmail.com
      joaomkehl@gmail.com
      gustavoabreu@gmail.com

      Obrigado
      Abraços.
      Rafa