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George Love e a Amazônia por entre as nuvens

Publicado em: 09 de junho de 2017

O dia de hoje marca 22 anos da morte do norte-americano George Love (1937-1995), um fotógrafo que chegou ao Brasil em 1966, a convite de Claudia Andujar, sua companheira até 1974 e com quem fotografou e editou o fundamental livro Amazônia. Love tinha pouca ou nenhuma relação com a fotografia profissional, mas era formado na escola americana de fotografia experimental dos anos 60, tendo realizado cursos com o renomado Minor White.

Após sua chegada, Love transitou entre algumas publicações até encontrar seu lugar na revista Realidade, provavelmente o único espaço que aceitaria ter em seu quadro um fotojornalista pouco interessado em fazer fotojornalismo. No Brasil mergulhado na ditadura militar, ele encontrou na revista terreno para propor novas relações entre a imagem fotográfica e seu público.

Publicadas na ZUM #9, as imagens escolhidas para esta galeria são um desdobramento de uma das pautas executadas por ele para a revista Realidade.  Raimundo Pereira, diretor da edição especial sobre a Amazônia, enviou o fotógrafo para a região sem data marcada para voltar. “Vista do ar, da porta aberta de um avião monomotor, a Amazônia fotografada por George Love é um jogo de esconder e brilhar entre o sol, a selva, o rio e o olho mágico do fotógrafo”, escreveu João Farkas para a Revista Istoé, em 1985, a respeito das imagens aéreas de Love.

Sobre as viagens para a produção destas imagens, Love relembra: “As portas são retiradas do avião. O vento entra direto. Entro e saio das nuvens. Tudo é branco ao redor. Olho para baixo e só vejo árvores. De repente, chuva. Você protege a máquina, mas a si mesmo não pode”.

Durante a década de 70 e o início dos anos 80, Love retornaria à região diversas vezes. Os trabalhos publicitários, feitos em São Paulo, serviam para financiar o aluguel de aviões particulares de agricultores paraenses.///

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