Exposições

Exposição Antilogias: o fotográfico na Pinacoteca trabalha a ideia do acervo como espaço em movimento

Ronaldo Entler

Armando Prado, sem título, 1977

A missão do museu é paradoxal. Sua tarefa é tanto resguardar quanto colocar em circulação os objetos que abriga. Ele deve estabilizar seus materiais e também responder à transformação dos olhares. Ao museu de arte, sobretudo, cabe circunscrever as linguagens operadas pelas obras e, ao mesmo tempo, pôr em marcha suas potê­ncias transgressoras. Dentro do museu, o acervo parece responder pelo lado mais rígido dessa missão. É ali que se realiza a tarefa de conservar os objetos, de preservá-los da ação do tempo. Inacessível, ele é a parte mais privada desse espaço que foi reivindicado como público. Imaginamos um ambiente onde a luz, a umidade, a temperatura e também os gestos são balanceados, onde o olhar adquire seu viés mais técnico e eficiente. Supomos que, dentro dele, também as palavras são pronunciadas de forma precisa e solene, apoiadas em convenções seguras. E, uma vez impressas nas fichas que agenciam o acesso às obras, elas se tornam definitivas.

A exposição Antilogias, na Pinacoteca de São Paulo e com curadoria de Mariano Klautau Filho, é uma oportunidade para desconstruir essas fantasias em torno do acervo. A mostra surge do esforço da instituição de pensar sua coleção de fotografia, constituída ao longo dos últimos 40 anos. Em princípio, a tarefa solicitada a Klautau foi essencialmente técnica: ele deveria percorrer as imagens para entender e refinar suas formas de catalogação. Deveria também vasculhar o centro de documentação do museu para buscar informações complementares sobre os trabalhos. A pesquisa permitiu ainda observar as margens da coleção de fotografia para localizar obras que, mantendo-se em suas vizinhanças, poderiam ser eventualmente pensadas dentro desse recorte.

Para uma tarefa como essa não existe uma ciência pronta. As palavras, os conceitos e os indexadores que o pesquisador escolhe não são neutros, eles têm um alto poder de renovar os sentidos das imagens a que se referem. É assim que o acervo, esse lugar que imaginamos hermético e assertivo, contamina-se dos paradoxos que atravessam de modo amplo qualquer espaço dedicado à história da cultura. Não se preserva uma obra de arte como se guarda um fóssil. Aquilo que de uma obra se conserva é também sua mobilidade, sua capacidade de falar dos novos tempos com que se confronta.

Thomaz Farkas, Expedição ao rio Negro, da série Brasil e brasileiros no olhar de Thomaz Farkas, 1975

A ideia de realizar uma exposição veio em seguida, ao final de um semestre de pesquisas realizadas por Klautau. Mas é possível supor que a tarefa de observar sistematicamente a coleção já tivesse exigido muitas vezes o trabalho inventivo de uma curadoria. A preparação da mostra demandou mais um ano de trabalhos e contou com a colaboração de Pedro Nery como curador-adjunto. Para ampliar a leitura já realizada, Klautau optou por colocar a coleção da Pinacoteca em diálogo com outras imagens. Antilogias conta com cerca de 250 trabalhos de 32 artistas presentes no acervo e de outros 29 nomes convidados. O objetivo dessa abertura foi reforçar a proposição de certos “percursos” – conceito-chave explorado pelo curador – pela diversidade de formas e materialidades que a fotografia já esboçava dentro do acervo.

Sabemos que, nessas quatro décadas em que essa coleção se constituiu, nossa compreensão da fotografia foi alargada tanto pelas novas abordagens teóricas quanto pela produção experimental dos artistas. Sabemos também que, nesse mesmo período, os diretores e curadores que atuaram na Pinacoteca souberam manter a instituição atenta à produção fotográfica brasileira, ainda que com visões e preferências muito distintas. Num país marcado por instabilidades políticas, as instituições precisam desenvolver certa habilidade para produzir suas narrativas a partir de gestos descontínuos. Para se ter uma noção do que é esse esforço: Tadeu Chiarelli, que dirigia o museu na época em que o projeto de revisão catalográfica foi viabilizado, conta que foi seu antecessor, Ivo Mesquita, quem lançou um olhar mais provocativo e atento em direção ao acervo de fotografia. O convite a Klautau para realizar a pesquisa que culminou nessa exposição partiu de Chiarelli. Mas, semanas antes da Pinacoteca abrir Antilogias, Jochen Volz já tinha assumido o lugar de Chiarelli na direção.

Em meio à diversidade de trabalhos e de visões que resultam nessa coleção, a exposição não tem a pretensão de chegar a uma síntese do que é a fotografia abrigada pela Pinacoteca. O que está ali representado é, antes, a topografia complexa de um espaço percorrido pela instituição nessas quatro décadas e que, conforme o mapeamento feito pelo curador, constitui um campo fotográfico bastante vasto.

André Penteado, da série Missão francesa, 2017

Se obedecermos ao desenho das salas ocupadas pela exposição, é a série Bom Retiro e Luz (1976), de Cristiano Mascaro, que abre Antilogias. Esse trabalho, produzido a convite da então diretora Aracy Amaral, demarca o início da coleção de fotografia da Pinacoteca. Na sala subsequente, vemos outras obras produzidas entre as décadas de 1970 e 1980 por nomes como Carlos Moreira, Boris Kossoy, Armando Prado e Alair Gomes. No entanto, a exposição não se limita a uma organização cronológica. Apesar da simetria das salas, o espaço simbólico construído pelas imagens é complexo e nenhuma linearidade está garantida: numa espécie de analogia com o que ocorre no acervo, há diversas portas de entrada para a exposição. Independentemente da que for escolhida, é certo que, em uma experiência dessa ordem, sempre chegaremos pelo meio. Antes mesmo de entrar nas salas, encontramos um recorte da série Missão Francesa (2017), trabalho recente de André Penteado que cria também um espaço de transição entre esta exposição e uma história mais ampla da arte brasileira, bem representada em outros espaços da Pinacoteca. A exposição revela uma curadoria provocativa e plena de inquietações, mas que não faz das obras um pretexto para manifestar suas hipóteses teóricas. Com uma montagem simples, generosa e sem artifícios cenográficos, o público encontrará sua própria distância e ritmo para percorrer as imagens.

Não é difícil construir hipóteses sobre o que aproxima as obras alocadas em cada uma das sete salas da exposição, recortes mais ou menos consolidados como fotografia documental, fotografia expandida, corpo, paisagem e narrativas, entre outros. Mas, como parte desse exercício de produzir antilogias [termo que indica contradição ou confronto em ideias e argumentações], sempre encontraremos trabalhos que não se entregam tão facilmente ao lugar que lhe foi dado pela curadoria. Também veremos imagens que ora antecipam, ora desdobram para outras salas os recortes demarcados. Um exemplo: em meio a um gênero tradicional como o da fotografia de paisagem, algumas obras se expandem na direção da imagem em movimento por meio de fotomontagens, de sequências narrativas, vídeos e gifs animados. Ou, na direção contrária: numa sala que claramente prioriza as poéticas da fotografia expandida, bem ao lado de Rosângela Rennó, há um documentarista clássico como Jean Manzon. Segundo o curador, o que motivou essa aproximação é algo muito sutil: numa de suas imagens (Cena urbana no centro de São Paulo, 1950), vemos um garoto imerso em alguma outra paisagem do mundo, graças a um aparato de exibição de imagens estereoscópicas. Klautau enxerga ali o prenúncio do desejo de desvelar os artifícios do dispositivo fotográfico, que marca vários dos trabalhos mais recentes expostos naquela sala.

Claudia Andujar, sem título, 1970

Podemos apostar que algumas tensões provocadas pela curadoria já estavam, desde antes, colocadas também pelo acervo. Já na primeira sala, os curadores informam que as imagens de Mascaro exibidas originalmente em 1976, foram novamente ampliadas em 2003. Com algumas dessas cópias exibidas lado a lado, vemos como uma mesma imagem se comporta de modos distintos quando submetida a condições técnicas diferentes. A fotografia impôs o reconhecimento da autenticidade estética de uma imagem que já nascia como cópia. Mas há um efeito colateral dessa concessão que demoramos a reconhecer: se o procedimento técnico de reprodução não oferece parâmetros inequívocos, o trabalho criativo do fotógrafo está longe de se esgotar na captura de um instante.

Cristiano Mascaro, da série Bom Retiro e Luz, 1976

Cristiano Mascaro, da série Bom Retiro e Luz, 1976

Além de muitos jovens artistas, a exposição inclui trabalhos pouco vistos de fotógrafos consagrados, por exemplo, uma Claudia Andujar precocemente experimental (Sem título, 1970) ou, ao contrário, um Thomaz Farkas documental, já distante do formalismo dos fotoclubes (Expedição ao Rio Negro, AM, 1975). Há em Antilogias um desejo claro de apontar para a amplitude das experiências que a fotografia pode assumir: ela pode assumir a forma de livro, de instalações e de objetos variados. Pode também avançar sobre o território da literatura, da escultura e do cinema. Uma situação-limite desse exercício curatorial pode ser visto na pintura Banhistas I (1976), de João Calixto. A técnica tradicional – óleo sobre tela – não deixa dúvidas sobre o lugar mais confortável para catalogação dessa obra. Mas a exposição é muito convincente ao observar aquilo que há de fotográfico na imagem: um realismo baseado na banalidade do instante e no enquadramento quase acidental de alguns elementos, inevitavelmente associado ao clique despretensioso de uma câmera. Trazida para o território da fotografia, e assumida a possibilidade de leituras anacrônicas, essa imagem poderia se confundir com um dos registros que postamos nas redes sociais num fim de semana. Como sugere Klautau, o que guia sua pesquisa é a tentativa de compreender uma cultura visual atravessada pela fotografia.

Em particular, a vitrine dedicada à série Nova York (1982), de Alex Vallauri, constitui uma alegoria dos deslocamentos que uma obra pode experimentar dentro de um acervo. Vallauri é um dos precursores da arte urbana no Brasil e o que vemos ali, em cópias xerográficas, é um portfólio composto por registros fotográficos de intervenções feitas na cidade.  Não é incomum ver documentos, sobretudo aqueles que se referem a ações artísticas efêmeras, ganharem em coleções o estatuto de obra de arte. Mas o que surpreende não é apenas isso: ao lado da sequência de fotografias está a pasta que abrigava esse portfólio. Nela vemos que as páginas de plástico transparente absorveram as imagens que protegiam, como se o tempo tivesse prosseguido por conta própria a experimentação de novos suportes que tanto marcou o trabalho dessa geração de artistas. É um acidente, sem dúvida, mas que demonstra o modo como as imagens, mesmo quando permanecem guardadas, são capazes de renovar os problemas que lançam ao olhar.

Alex Vallauri, da série Nova York, 1982

Vitrine com a série Nova York, de Alex Vallauri, 1982

Percorrendo Antilogias, entendemos que o acervo não é avesso às ações do tempo. Ao contrário, é constituído justamente por elas: pelas transformações que marcam a trajetória da instituição, o olhar do público, os materiais e as linguagens da arte. O trabalho do curador foi, em certa medida, dessacralizar o espaço de uma reserva técnica, produzir ali movimentos menos contidos e protocolares, arrancar de seu silêncio solene uma escuta do modo como as obras negociam entre si uma história da fotografia, que não se resume à somatória das leituras que justificaram cada uma das aquisições. Ao colocar seu acervo em diálogo com outros trabalhos, o museu demonstra que investir na compreensão de sua história não é um movimento de autocelebração, mas uma forma de manter a vitalidade de sua coleção e de fazer dela um canal de diálogo com o mundo a seu redor.///

 

Ronaldo Entler é pesquisador e crítico de fotografia, professor e coordenador de pós-graduação da Faculdade de Comunicação e Marketing da FAAP (SP) e editor do site Icônica (www.iconica.com.br).

Exposições

Uma seleção de exposições pelo mundo para quem gosta de fotografia

Veja uma seleção de exposições no mundo (e, aqui, no Brasil) para quem gosta de fotografia:

Larry Sultan: Aqui e em casa

 

Retrospectiva abrangente da carreira do fotógrafo norte-americano Larry Sultan (1946 – 2009), famoso por fotografar sua vida familiar explorando retratos posados, narrativas domésticas e um estilo documental. Os trabalhos expostos incluem fotos do início de sua carreira e imagens do seu trabalho mais famoso Fotos de casa (Pictures from home – 1983-92), cujo livro foi recentemente relançado e resenhado na ZUM.

Museu de Arte Moderna, São Francisco, até 23 de julho

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Entre o diabo e o profundo mar azul – Pieter Hugo

Em exposição no Museu de Arte de Wolfsburgo (Alemanha), os retratos, naturezas mortas e paisagens do fotógrafo sul-africano Pieter Hugo (1976) trabalham sempre com questões de opressão cultural e dominação política. A mostra apresenta obras de trabalhos famosos de Hugo, como “Kin”, “A Hiena & outros homens”, “Nollywood” e de projetos mais recentes, como “Ruanda 2004: vestígios de um genocídio” e “Flores selvagens da Califórnia”.

Museu de Arte, Wolfsburgo, até 23 de julho

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E. O. Hoppé – Revelando um segredo

 

Emil Otto Hoppé (1878) foi um importante fotógrafo alemão do início do século 20. Suas fotografias de paisagem, arquitetura e indústrias foram publicadas em importantes revistas. No entanto, a partir de 1950 seu nome começou a ser esquecido, principalmente pelo fato de Hoppé ter doado uma grande parte de seu acervo para uma biblioteca pública de Londres que não classificou sua obra por nome do autor, mas por temas. Só a partir dos anos 90 seu trabalho foi redescoberto, reclassificado e exposto.

Centro do Acervo Fotográfico / SK Stiftung, Colônia, Alemanha, até 30 de julho

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As muitas vidas de Erik Kessels

As muitas vidas de Erik Kessels apresenta uma retrospectiva dos 20 anos de carreira do artista, publisher e curador holandês, uma referência mundial quando o assunto é fotografia apropriada. Na sua prática, a fotografia é um elemento a ser reorganizado e re-contextualizado, gerando uma espécie de ecossistema de imagens com um novo significado.

Centro Italiano de Fotografia, Turim, até 30 de julho

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Memória descoberta: As fotografias do gueto de Lodz

Henryk Ross

Importante exposição que revisita o horror do cotidiano dos guetos judeus na Polônia da Segunda Guerra mundial. As imagens mostram a determinação e coragem do fotojornalista polonês Henryk Ross (1910-1991), um raro sobrevivente do gueto Lodz que conseguiu documentar o que ele chama de “nosso martírio”. Ross foi designado pelas autoridades alemãs para fotografar cenas montadas da vida no gueto que serviriam de propaganda nazista. Mas, de forma secreta e clandestina, fotografou também a realidade e as mazelas deste cotidiano em cerca de 6 mil negativos que manteve enterrados para só depois da guerra serem revelados e expostos.

Museu de Belas Artes, Boston, até 30 de julho

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Irving Penn – Centenário

 

A maior retrospectiva até hoje do grande fotógrafo norte-americano Irving Penn (1917-2009), esta exposição comemora o centenário de nascimento do artista. Com quase 70 anos de carreira, Penn foi um dos grandes mestres do retrato, fotografando com extrema atenção a detalhes de composição, luz e estilo.

Metropolitan, Nova York, até 30 de julho

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Foto Espanha 2017

O festival Foto Espanha toma conta de várias cidades espanholas até o final do mês de agosto. A extensa programação inclui oficinas, palestras, debates e exposições, com destaque para o trabalho de artistas como Paulo Nozolino, Teresa Margolles, Pierre Molinier, Anders Petersen e Antoine d’Agata, entre outros. Em sua vigésima edição, os organizadores deram carta branca ao fotógrafo espanhol Alberto García-Alix, curador das exposições do festival. [imagem de Anders Petersen]

Espanha, até 30 de julho

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Fons Iannelli: Guerra/ pós-guerra

Embarcado como fotógrafo da aviação naval da Marinha americana no Pacífico, Alfonso ‘Fons’ Ianelli (1971-1988) registrou momentos de camaradagem entre os marinheiros. Após a guerra, dedicou-se ao fotojornalismo e retratou de forma íntima o cotidiano das famílias americanas das mais diferentes classes sociais. Muito do seu acervo foi destruído em um incêndio do seu estúdio nos anos 1980, mas parte dele foi recentemente recuperado e agora é exposto em Nova York pela primeira vez.

Galeria Steven Kasher, Nova York, até 11 de agosto

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Mike Mandel: Os bons 70s

O MoMa de San Francisco está com a exposição Mike Mandel: Os bons 70s, uma grande retrospectiva do artista californiano. Com cerca de 200 objetos, incluindo fotografias, livros e filmes realizados nos anos 70, a mostra apresenta a excêntrica obra de Mandel, com trabalhos como a série Pessoas em carros (1970-73), Mrs. Kilpatric (1974) e Motels (1974).

SF MoMA, San Francisco, EUA, até 20 de agosto

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Magnum Manifesto

Esta exposição celebra os 70 anos da famosa agência Magnum, fundada por Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, George Rodger e Chim (David Seymour). A mostra do Centro Internacional de Fotografia (ICP) explora a história da segunda metade do século 20 pelas lentes de 75 fotógrafos da agência, com nomes como Elliott Erwitt, Cristina Garcia Rodero, Jim Goldberg, Joseph Koudelka, Sergio Larrain, Susan Meiselas, Martin Parr, Marc Riboud, W. Eugene Smith, Alec Soth, Chris Steele-Perkins e Alex Webb, além dos próprios fundadores. [imagem de Chris Steele-Perkins]

ICP, Nova York, até 3 de setembro

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As oferendas

Gao Bo

Uma ampla retrospectiva da obra do artista chinês Gao Bo (1964) pode ser vista na Casa Europeia da Fotografia. Transitando entre a fotografia, a instalação e a performance, estão expostos desde seus primeiros trabalhos sobre a milenar cultura dos monges tibetanos até suas instalações mais recentes, como a intervenção onde queimou uma série de fotos para reter apenas as cinzas.

Casa Europeia da Fotografia, Paris, até 4 de setembro

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Gordon Parks – Eu sou você. Trabalhos selecionados 1942-1978

A exposição Gordon Parks – Eu sou você. Trabalhos selecionados 1942-1978 apresenta uma parte importante do fotógrafo norte-americano. Além de seu trabalho em preto e branco, estão expostas fotografias coloridas e trechos de A árvore do conhecimento e Shaft, filmes dirigidos por ele.

Foam, Amsterdã, até 6 de setembro

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Elliott Erwitt na Hungria

Em 1964, o renomado fotógrafo Elliott Erwitt fotografou a vida cotidiana em Budapeste, Hungria. A mostra apresenta o olhar do artista norte-americano para o que acontecia nos países do lado leste da Cortina de Ferro. O resultado da visita está sendo exposto pela primeira em Budapeste, na Casa Mai Manó.

Casa Mai Manó, Budapeste, até 10 de setembro

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Com os olhos bem abertos. Cem anos de fotografia Leica.

A mostra Com os olhos bem aberto. Cem anos de fotografia Leica é composta por cerca de 400 fotografias que contam a história de um século de imagens com a clássica e icônica máquina de 35 mm. A exposição está estruturada em temas: Leica e a nova visão, Fotojornalismo, Fotografia subjetivista, Fotografia humanista, A fotografia de moda, A nova fotografia em cores e Fotografia de autor. A mostra apresenta trabalhos de Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, Paul Wolff, Bruce Davidson, Robert Frank e outros fotógrafos que ajudaram a tornar a Leica um clássico. [imagem de Fred Herzog]

Fundação Telefonica, Madri, até 10 de setembro

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 Ed van der Elsken: Câmera apaixonada

 

O fotógrafo holandês Ed van der Elsken percorreu as ruas das grandes cidades do mundo: Paris, Amsterdã, Tóquio, Hong Kong e tantas outras. Em busca de personagens característicos, principalmente jovens marginalizados, o fotógrafo desenvolveu um estilo de próprio de ver as cidades e suas mudanças no pós-guerra.

Jeu de Paume, Paris, até 24 de setembro

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Diane Arbus: No começo

Esta exposição apresenta mais de 100 fotografias que redefinem Diane Arbus, uma das mais influentes e provocativas artistas do século 20. Focando no início de sua carreira, de 1956 a 1962, quando desenvolveu seu estilo idiossincrático e o método pelo qual foi mais tarde reconhecida, aclamada, criticada e copiada ao redor do mundo. Composta majoritariamente por material inédito, vindo do arquivo Diane Arbus, a mostra traz íntimas e surpreendentes imagens de crianças, pessoas excêntricas, casais, artistas circenses, drag queens e frequentadores da Quinta Avenida, em Nova York, onde a artista fez a maioria de suas fotos.

Malba, Buenos Aires, até 9 de outubro

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Eugene Richards: O passar do tempo

Nos últimas décadas, o fotógrafo norte-americano Eugene Richards (1944) dedicou-se a explorar temas complicados e controversos em seus trabalhos, como racismo, pobreza, dependência química, envelhecimento e o êxodo rural americano. A exposição Eugene Richards: O passar do tempo apresenta seus trabalhos a partir de 1968, e inclui fotografias, textos e filmes.

Museu George Eastman, Rochester, NY, até 22 de outubro

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Magnum Recuperação Analógica

Esta mostra é fruto de um trabalho de recuperação de cópias analógicas guardadas nos arquivos da famosa agência Magnum, fundada por nomes como Robert Capa e Henri Cartier-Bresson. São milhares de imagens produzidas entre 1947 até o final de 1970 que agora são recuperadas e mostradas ao público, desde fotos já clássicas até outras pouco vistas. [imagem de Léornad Freed]

Le Bal, Paris, até 27 de outubro

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Weegee por Weegee

 

Na convulsionada Nova York dos anos 30 e 40, Weegee (pseudônimo de Arthur Fellig) era um repórter fotográfico que sempre estava sintonizado na frequência policial a fim de descobrir a próxima pauta. A exposição Weegee por Weegee apresenta uma ampla seleção de seus trabalhos, desde fotos de crimes, incêndios e acidentes até cenas de eventos populares e aglomerações da população nova iorquina, como sua famosa imagem de uma multidão em Coney Island.

Fundação Foto Coletânea, Barcelona, até 3 de novembro

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Histórias recentes: Nova fotografia africana

Exposição reúne o trabalho de 14 artistas contemporâneos da África, que investigam temas ligados a questão de identidade, pertencimento e preocupações sócio-políticas, como migração e o legado colonialista. A mostra apresenta obras dos artistas Edson Chagas, Mimi Cherono Ng’ok, Andrew Esiebo, Em’kal Eyongakpa, François-Xavier Gbré, Simon Gush, Délio Jasse, Lebohang Kganye, Sabelo Mlangeni, Mame-Diarra Niang, Dawit L. Petros, Zina Saro-Wiwa, Thabiso Sekgala e Michael Tsegaye. [imagem de Dawit L. Petros]

Coleção Walther, Neu-Ulm, Alemanha, até 29 de novembro

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Música dos balcões

Ed Ruscha

Esta exposição mostra de maneira abrangente o trabalho do artista norte-americano Ed Ruscha (1937), incluindo séries fotográficas, pinturas e desenhos dos anos 60 até os 2000. Ruscha desenvolveu sua obra tendo como referência as paisagens urbanas do oeste americano, principalmente em torno do imaginário ligado a Los Angeles e Hollywood.

Galeria Nacional da Escócia, Edimburgo, até 29 de abril de 2018

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Exposições

Exposição em Nova York celebra o centenário de nascimento de Irving Penn

Irving Penn & Francisco Quinteiro Pires

Irving Penn sentia-se mais à vontade e seguro quando estava dentro de um estúdio. O fotógrafo norte-americano podia assim ter a sensação mais clara de controle tanto sobre os elementos à sua volta quanto sobre os objetos por ele fotografados. Uma representação fotográfica que escapasse facilmente ao seu poder de manipulação desafiava sua capacidade de tolerância estética. “O realismo do mundo real é algo quase insuportável para mim”, explicou nos anos 1970. Famoso pelas fotografias publicadas na revista Vogue durante quase sete décadas de trabalho, Penn foi fundamentalmente um fotógrafo de estúdio, como enfatiza Irving Penn: Centenário, exposição do Metropolitan Museum of Art que celebra o centenário de nascimento do artista norte-americano e o anúncio de que a Fundação Irving Penn doará cerca de 150 fotografias para o museu nova-iorquino. Essa é a terceira mostra que o Met dedica ao trabalho do fotógrafo nascido no Estado de New Jersey, em junho de 1917.

Dividida em onze seções onde aparecem todas as imagens doadas pelo instituto que administra a obra do fotógrafo, morto em 2009, Irving Penn: Centenário apresenta um profissional a um só tempo tradicionalista e criativo, oscilante entre os universos das fotografias comercial e artística, admirador das vanguardas modernistas europeias e aspirante à criação de uma obra de arte tão canônica quanto uma escultura grega clássica. A curadoria da exposição do Met, realizada por Maria Morris Hambourg e Jeff L. Rosenheim, acentua a devoção de Penn ao próprio trabalho, além da atenção por ele reservada à composição e às nuances de suas imagens, marcadas por um formalismo e modernismo que haviam se tornado norma quando suas fotos passaram a ser exibidas em museus dos Estados Unidos nos anos 1970. Penn surge como um indivíduo simples, de origem proletária e avesso ao mundo glamoroso exibido nas páginas da revista Vogue, nas quais imperava, como ele mesmo afirmou, uma “elegância anoréxica”.

Os curadores, entretanto, tomaram certo cuidado para relativizar uma leitura predominantemente consagradora de um fotógrafo canônico, cuja primeira exposição no Met, Irving Penn: Material de rua, foi realizada em 1977, seguida pela segunda mostra, em cartaz em 2002, com o título Corpos terrenos: os nus de Irving Penn 1949-50. Apesar de superficial, tal relativização ocorre na série mais propensa à polêmica, chamada Retratos etnográficos, 1967-71. A sala da exposição com este trabalho apresenta imagens feitas por Penn na Guiné, em Papua Nova Guiné e no Marrocos e publicadas em cores pela revista Vogue. Penn compilou uma seleção desses retratos em preto e branco no livro Mundos em uma pequena sala (1974).

Irving Penn, Truman Capote, Nova York, 1948. © Fundação Irving Penn

O método que consagrou Penn no início de sua carreira como fotógrafo de moda tornou-se com o tempo mais espinhoso, por estar sujeito a promover a reprodução de estereótipos quando retrata indivíduos de sociedades não-ocidentais. Em uma série de retratos de artistas e famosos feitos para a Vogue a pedido de Alexander Liberman —diretor de arte da revista —, Penn inventou diferentes artifícios para isolar os retratados do ambiente à sua volta. Para fazer as séries Retratos existenciais, 1947-48 e Pequenas trocas, 1950-51, o fotógrafo adotou como fundo neutro uma cortina velha e manchada de teatro e um cenário improvisado composto de biombos em um ângulo agudo. A cortina criava uma paisagem de terra arrasada, em consonância com a destruição provocada pela Segunda Guerra Mundial ou o universo ficcional de uma peça de Samuel Beckett. Penn posicionava os seus retratados de costas para o vértice formado pelos biombos, espremendo-os entre as retas desse ângulo agudo e imobilizando-os de modo a mirarem a sua câmera. Ao criar como fundo um local não-identificado, em que as especificidades tendem a se anular, Penn pôde concentrar toda a sua atenção nas expressões corporais daqueles que posavam para a sua câmera e assim guiá-los no ambiente cuidadosamente controlado de um estúdio. Era uma variação da sua experiência seminal nos anos 1930 e 1940 com o retrato de naturezas-mortas. “Objetos inanimados são bons, seguros e fáceis de controlar e nada perturbadores”, disse Penn a respeito do seu trabalho com as naturezas-mortas.

Quando viajou para a Guiné, onde fotografaria mulheres descendentes das amazonas do Reino do Daomé, Penn exigiu a princípio um estúdio no país africano que recebesse luz natural desde o norte. Como esse tipo de estrutura se mostrou impossível de ser alugado em regiões mais remotas do país africano, Penn seguiu a sugestão de Mary Roblee Henry, então editora da Vogue. Henry aconselhou Penn a montar uma barraca, dentro da qual poderia separar mulheres e crianças da paisagem natural. Esse estúdio improvisado e ambulante era uma espécie de “região neutra” na vila de pescadores em Ganvié. A barraca, segundo o fotógrafo americano, “não era a casa deles, pois eu havia proporcionado esse invólucro estrangeiro à vida deles; não era a minha casa, já que eu tinha obviamente vindo de um outro lugar, bem longe. Mas nesse limbo criou-se para nós a possibilidade de contato que foi para mim uma revelação e que foi com frequência, eu podia perceber, uma experiência comovente para os retratados”.

Irving Penn, Três homens-lama Asaro, Nova Guiné, 1970. © Fundação Irving Penn

O uso da palavra limbo por Penn para se referir a seu estúdio improvisado e ambulante remete à conotação de um lugar indefinido, esquecido, marginal. Uma das características fundamentais do seu trabalho, a prática de isolar os retratados do seu contexto cultural e descaracterizar o cenário em que estão inseridos ecoa um discurso colonialista e reproduz estereótipos em relação a povos nativos, admitem os curadores de Irving Penn: Centenário. Penn contou com certa vergonha que, antes de sua viagem para Papua Nova Guiné, ele “esteve preocupado com o fato de trazer a sua mulher depois de ler sobre canibalismo” no país da Oceania. Coincidência ou não, esse discurso sobre canibalismo está na base do encontro entre colonizadores europeus e populações aborígenes. Tratadas como seres selvagens, mais próximos dos animais do que dos seres humanos, essas populações poderiam ser violentadas e escravizadas.

Essa perspectiva influenciou a relação colonialista e controversa entre fotografia e antropologia nos século XIX, o que pode tornar explosivo o trabalho etnográfico de Penn na Guiné, em Papua Nova Guiné e Marrocos. Sob o ponto de vista comercial e editorial da Vogue, esse tema candente e doloroso virou uma oportunidade, segundo interpretação de Diana Vreeland, editora-chefe da revista. Para Vreeland, o vestuário e os adornos corporais registrados nos retratos de Penn eram um material autêntico e complementar à contracultura dos anos 1960 que a revista tentava capturar em suas páginas.

Embora a curadoria de Irving Penn: Centenário tenha abordado o tema controverso da relação entre colonialismo e fotografia, ela deu menos atenção às questões de gênero do trabalho de Penn, que se dizia mais preocupado em retratar as mulheres dentro dos vestidos do que os próprios vestidos. Em uma das seções mais experimentais da exposição do Met, uma série de retratos apresenta mulheres nuas, com a cabeça cortada. Penn escolheu mulheres de corpos mais magros como modelos iniciais, depois sucedidas por mulheres mais corpulentas e fora de forma. O efeito dos corpos sem rostos é perturbador, ao mesmo tempo que desencoraja o voyeurismo. Tanto Liberman, diretor de arte da Vogue, quanto Edward Steichen, fotógrafo e curador do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York, rejeitaram esse projeto de Penn.

Irving Penn, Escultura de corpo Ungaro (Marisa Berenson), Paris, 1969. © Fundação Irving Penn

Outro tema delicado da exposição é a escolha de mulheres jovens e atraentes, com os seios nus, para a edição da Vogue que publicou a série de retratos feitos na Guiné. Apesar de as retratadas desafiarem em algumas imagens a linguagem fotográfica imposta por Penn, o que prevalece no enquadramento das guineanas é uma composição diretamente transplantada das páginas de Vogue e da National Geographic. Esse registro em imagens realizado por Penn pertence a uma tradição que lamenta o desaparecimento de culturas locais. Ao mesmo tempo, ao reproduzir padrões estéticos dentro de um estúdio onde quer que vá, Penn se arrisca ao dar margens à interpretação de estar exercendo o poder de uma visão masculina, que desconhece outras perspectivas por desinteresse em se aventurar em um universo com significados culturais que lhe escapam ao controle. Quando se lê o texto de introdução escrito por Maria Morris Hambourg no catálogo de Irving Penn: Centenário, é possível desconfiar da citação feita pela curadora de um trecho de Pele Negra, Máscaras Brancas, um livro clássico de Frantz Fanon sobre colonialismo. De acordo com Hambourg, Penn teria promovido em suas fotografias o que Fanon descreveu como “a criação de um mundo humano — isto é, um mundo de reconhecimentos mútuos”.///

 

Francisco Quinteiro Pires (1982) é jornalista e doutorando no Departamento de Língua e Literatura em Espanhol e Português da Universidade de Nova York (NYU). Nasceu no Brasil e vive em Nova York desde 2010.

 

Exposições

Uma seleção de exposições no Brasil para quem gosta de fotografia

Veja uma seleção de exposições no Brasil (e, aqui, no exterior) para quem gosta de fotografia:

 São Paulo

 

Antilogias: o fotográfico na Pinacoteca

A exposição Antilogias: o fotográfico na Pinacoteca, que reúne cerca de 250 obras de 60 artistas, tem como eixo o acervo da instituição e pretende discutir o meio fotográfico para composição e produção de imagens e objetos, em suas diversas possibilidades, narrativas e suportes. Além das obras do acervo da Pinacoteca, compõem a mostra trabalhos de artistas do Rio Grande do Sul, Pernambuco, Pará e São Paulo, convidados pela curadoria da mostra. [imagem de Romy Pocztaruk]

Pinacoteca de SP, até 07 de agosto

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Museu mise-en-scène

A artista Isis Gasparini apresenta, na exposição Museu mise-en-scène, a síntese de uma pesquisa que realiza há sete anos sobre a relação entre olhar, espaço expositivo e obra de arte. A mostra reúne fotografias, vídeo e instalação que refletem sobre o espaço museológico como um dispositivo que direciona o fluxo e o gesto do público, bem como sua relação com a história e a memória.

Galeria Zipper, até 17 de junho

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Retrato: território da fotografia

A exposição Retrato: território da fotografia reúne a produção de fotógrafos nacionais e internacionais, como Horst P. Horst, Erwin Blumenfeld, Bob Gruen, Miro, Bob Wolfenson, Klaus Mitteldorf e Mario Testino, entre outros grandes nomes. O objetivo da mostra é valorizar o retrato, gênero mais popular da fotografia, a partir de uma seleção de imagens que pertencem ao acervo do MAB FAAP.
[Imagem de Bob Wolfenson]

MAB – FAAP, até 4 de junho

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Henri Cartier-Bresson: primeiras fotografias

 

Em 1932, com a idade de 24 anos, o francês Henri Cartier-Bresson adquiriu, em Marselha, a câmera Leica da qual nunca se separou. Nos três anos seguintes, ele criou uma das mais originais e influentes narrativas visuais da história da fotografia. Nesta mostra, com fotos clássicas e algumas inéditas, podemos perceber o caminho percorrido pelo jovem fotógrafo, suas viagens e aventuras pela Espanha, México, França e Itália.

Sesi-SP, até 25 de junho

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Rio de Janeiro

 

World Press Photo 2017

Em sua 60ª edição, a exposição World Press Photo apresenta os registros mais impactantes do fotojornalismo mundial no último ano. São 154 imagens sobre temas variados, como política, economia, esportes, cultura e meio ambiente, incluindo a vencedora do prêmio principal, “Um assassinato na Turquia”, de Burhan Ozbilici. Neste ano em especial, os brasileiros Lalo de Almeida, da Folha de S. Paulo, e Felipe Dana, da agência The Associated Press, foram premiados. [imagem de Lalo de Almeida]

Caixa Cultural – RJ, até 18 de junho

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Chichico Alkmim, fotógrafo 

Em cartaz no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, a exposição Chichico Alkmim, fotógrafo apresenta mais de 300 imagens produzidas pelo fotógrafo mineiro na primeira metade do século 20. Segundo Eucanaã Ferraz, curador da mostra, “Chichico é daqueles fotógrafos que parecem ter o poder de fazer vir ao primeiro plano a vida de seus modelos. E é patente a densidade existencial que se expressa no conjunto de características físicas que chamamos fisionomia, compreendida como a realização momentânea de um destino”.

Instituto Moreira Salles – RJ, até 01 de outubro

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Fortaleza

 

O fotógrafo Chico Albuquerque, 100 anos

Grande retrospectiva da obra de Chico Albuquerque, a exposição O fotógrafo Chico Albuquerque, 100 anos, apresenta cerca de 400 fotografias, além de objetos, livros, recortes, exibição de filmes (It’s All True, Cangaceiros), documentários sobre ele, vídeo sobre o livro Mucuripe e entrevistas. Muitas fotografias são expostas pela primeira vez no Ceará. Elas são parte do acervo de cerca de 75 mil imagens produzidas pelo fotógrafo cearense em São Paulo entre 1947 e 1975, que está preservado na Reserva Técnica Fotográfica do IMS por meio de convênio com o MIS-SP.

Museu de Arte Contemporânea – CE, até 02 de julho

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Curitiba

Matéria Escura
Manoel Veiga

O Museu Oscar Niemeyer recebe a mostra Matéria Escura, de Manoel Veiga. A exposição é composta por 33 de fotografias impressas em tela da série mais recente do artista, que revisita as pinturas de Caravaggio e elimina as cores e os personagens, deixando apenas os tecidos, roupas e cortinas, com os quais o mestre italiano construía suas cenas.

Museu Oscar Niemeyer, até 11 de junho de 2017

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Teresina

Alistamento – Éder Oliveira

A exposição Alistamento, de Éder Oliveira está em cartaz na Casa da Cultura de Teresina. O trabalho, parte do projeto Sesc Amazônia das Artes, apresenta retratos de jovens paraenses que se alistaram nas Forças Armadas.  “Tenho o militarismo desde criança em minha vida, uma relação direta com pessoas que serviram e também tinha pretensão de servir. Nessa exposição mostro o significado pessoal aliado com uma crítica social que precisa de atenção“, comenta o artista.

Casa da Cultura de Teresina, até 30 de junho

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Exposições

Uma seleção de exposições no Brasil para quem gosta de fotografia

Veja uma seleção de exposições no Brasil (e, aqui, no exterior) para quem gosta de fotografia:

São Paulo

 

 

Imagem-movimento

Zipper Galeria, até 14 de janeiro de 2017

A exposição explora a capacidade da fotografia, comumente associada à perenidade, de comunicar duração e movimento ao reunir obras e artistas que questionam imobilidade da imagem, seja através da escolha de tema, suporte ou modo de operar. Obras de André Penteado, Felipe Russo, Ana Vitória Mussi, Katia Maciel, Graciela Sacco, Patricia Gouvêa, entre outros, nas quais aspectos como deslocamentos, suportes cinéticos e efêmeros, longas exposições e relações temporais entre elementos pictóricos se entremeiam. Mais informações aqui. [imagem: Patricia Gouvêa]


 

German Lorca: Arte ofício/artifício

Sesc Bom Retiro, até 26 de fevereiro de 2017

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A exposição é dividida em três núcleos: no primeiro estão reunidas experimentações do artista com a técnica fotográfica, incluindo solarizações, múltiplas exposições e jogos de inversão negativo-positivo. Outro nicho expositivo mostra sua aproximação com o meio publicitário a partir da década de 1940, quando produziu diversas campanhas de marcas brasileiras. Por fim, o visitante tem uma rara oportunidade de conferir algumas obras em cores do fotógrafo, que se afirmou como um dos expoentes da fotografia moderna brasileira com sua obra predominantemente monocromática. Mais informações aqui.


 

III Mostra do Programa de Exposições 2016

Centro Cultural São Paulo, até 12 de março de 2017

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Entre os artistas e coletivos que integram a mostra está o Nervo Óptico, grupo que atuou entre 1977-78 publicando um cartazete mensal, nos moldes da arte postal. Livros, revistas, fotografias, fotomontagens e registros de instalações compõem um resgate do trabalho do coletivo, que usava a imagem fotográfica como forma principal de expressão. Mais informações aqui.


 

Fotografia publicitária brasileira

Casa da Imagem, até 2 de abril de 2017

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A mostra reúne mais de setenta profissionais da área e imagens criadas a partir da década de 1950 até a atualidade. A evolução do discurso publicitário no país é representada através de produtos e marcas que pontuaram os hábitos de consumo brasileiros e suas respectivas campanhas. O grande destaque fica para os pioneiros Otto Stupakoff, Hans Gunter Flieg, German Lorca e outros mestres que afirmaram a pertinência desta linguagem. Mais informações aqui. [imagem: German Lorca]


 

Rio de Janeiro

 

Espírito de tudo
Rosângela Rennó

Oi Futuro Flamengo, até 29 de janeiro de 2017

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Ocupando todo o espaço do Oi Futuro Flamengo, a mostra reúne seis obras da artista multimídia que trabalham com a imagem em diferentes esferas. Em Turista transcedental, por exemplo, Rennó manipula vídeos de viagens a diversos pontos do planeta, distanciando-se da paisagem em si e concentrando a experiência na relação com culturas estrangeiras. Segundo a artista, as obras que compõem o Espírito de tudo mostram que há muitos outros mistérios entre o céu e a terra, além daqueles que os filósofos, poetas e artistas já detectaram. Mais informações aqui.


 

Modernidades fotográficas, 1940-1964

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro, até 26 de fevereiro de 2017

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Modernidades fotográficas, 1940-1964 é a nova exposição de longa duração em cartaz na Galeria Marc Ferrez no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. É possível explorar mais de 160 imagens de quatro grandes fotógrafos brasileiros num período crucial para a formação da fotografia moderna no país. Com curadoria de Ludger Derenthal, coordenador da coleção de fotografia da Kunstbibliothek em Berlim, e Samuel Titan Jr., coordenador executivo cultural do IMS, a mostra apresenta do fotojornalismo de José Medeiros (1921-1990) ao modernismo de Marcel Gautherot (1910-1996), da abstração de Thomaz Farkas (1924-2011) à fotografia industrial de Hans Gunter Flieg (1923) – com um país em rápida e contraditória transformação como pano de fundo. Mais informações aqui. [imagem: Thomaz Farkas]


 

Otto Stupakoff: Beleza e inquietude

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro, até 30 de abril de 2017

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A retrospectiva do pioneiro da fotografia de moda no Brasil, cujo acervo de 16 mil imagens está sob a guarda do IMS desde 2008, foi dividida em quatro núcleos que contemplam toda a sua trajetória profissional: os anos de formação e início da carreira nos anos 1950; sua colaboração com importantes revistas como a Vogue francesa, a americana Harper’s Bazaar e retratos de celebridades como Jack Nicholson; sua série de nus; e uma sala dedicada às inúmeras viagens que fez, incluindo destinos como o Ártico. Mais informações aqui.


 

 

Belo Horizonte

 

Estado da natureza
Pedro Motta

CâmeraSete, até 25 de fevereiro de 2017

O fotógrafo, que utiliza extensivamente da manipulação digital em seu trabalho, expõe mais de 70 imagens distribuídas em oito séries, nas quais explora a tênue linha entre elementos naturais e o comportamento humano. Entre as obras expostas estão Flora negra, instalação fruto de uma residência na Colômbia, e a série Naufrágio calado, na qual Motta insere carcaças de barcos em paisagens marcadas por erosões de grande dimensões. A erosão é também o tema em Falência #2, obra criada especialmente para o espaço da exposição. Mais informações aqui.


 

Curitiba

 

Êxodos
Sebastião Salgado

Caixa Cultural Curitiba, até 12 de fevereiro de 2017

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O fotógrafo lança seu olhar sobre movimentos migratórios induzidos por conflitos políticos e étnicos no mundo desde 1993, analisando como a história e geografia são alteradas por eles. A mostra traz o resultado desta pesquisa, para a qual Salgado percorreu quarenta países retratando a realidade de pessoas obrigadas a deixar sua terra natal por motivos sociais e econômicos. Mais informações aqui.


 

Recife

 

PaLarva
Paulo Bruskcy

Caixa Cultural Recife, até 12 de fevereiro de 2017

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Com cerca de 300 obras, esta retrospectiva inédita da poesia visual de Bruscky inclui trabalhos realizados desde a década de 1960, assim como alguns produzidos exclusivamente para a mostra. Mais informações aqui.


 

Salvador

 

World Press Photo

Caixa Cultural Salvador, até 29 de janeiro de 2017

Migrants crossing the border from Serbia into Hungary.

A exposição reúne as 164 imagens vencedoras da 59ª edição do prêmio de fotojornalismo, que expõe seus resultados na Bahia pela primeira vez. Entre as fotografias premiadas estão duas de Maurício Lima, fotojornalista brasileiro vencedor do prêmio Pulitzer deste ano, e outra do espanhol Sebastián Liste, que fotografou a rotina do Papo Reto, coletivo de mídia independente que atua no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Mais informações aqui. [imagem: Warren Richardson]